Pearl Jam – Sirens

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Sirens para mim é a sequencia de vida descrita na canção Black, claro que não instrumentalmente, mas sim pelo conteúdo da letra que a banda quis transmitir. É uma letra que contém um sentimento de dor, que começou na Black relatando alguém que se foi, uma perca declarada mais que poderia ser um amor verdadeiro, uma vida que facilmente poderia ser vivida juntos e para sempre.

Enquanto a Sirens mostra em sua letra um relacionamento duradouro e agora achamos a fórmula para dar certo, não somos mais tão jovem e temos agora experiência de vida, diferente dos tempos da Black, mas infelizmente mesmo com toda essa bagagem de vida sabemos que iremos perder quem amamos, pois tudo acaba e todos nós morremos e quando a pessoa que amamos está perto de nós, o medo vai embora, como diz no final:  ♫♪ I studied your face, the fear goes away, The fear goes away….. The fear goes away ♪♫ 

Na Black tínhamos um amor que não deu certo, mas tinha tudo para ser completo e na Sirens temos um amor completo, mas sabemos que o tempo irá nos tirar e esse medo da morte transforma a Sirens numa linda canção de angustia, dor, amor e força de vontade para viver todos os dias como se fosse único. Essa é a minha impressão de Sirens e escute as sirenes ecoando em seu coração e perceberá o quanto grandiosa é está canção.

Resenha: Pearl Jam – Light Years

Música: Light Years
Banda: Pearl Jam
Álbum: Binaural (2000)

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Se pararmos para analisar um álbum no qual já começa com uns berros estridentes do fundo da garganta (Breakerfall), em seguida vem uma critica irônica sobre um Deus que usa os seres humanos como fantoches (God’s Dice) e a corrida clamando por uma fuga desesperada (Evacuation) que poderia ser uma corrida ao banheiro, quem nunca? rs
Chegaríamos agora então na canção mais emblemática do Binaural que é a “Light Years” e tem uma linda composição melancólica e reflexiva, uma das melhores escritas por Eddie Vedder.
A canção é sobre o fim de um ciclo, amizade ou até mesmo a morte literalmente de algum amigo ou pessoa bem próxima de Eddie, no encarte do single (versão em CD) tem um desenho de duas pessoas e dois nomes, “Monia” e “Ince”, mas quem eles seriam? (imagem acima).
A letra cita coisas que o Eddie costumava fazer com esta pessoa, e fica muito bem entendido, pois ele descreve as ações em primeira pessoa. O motivo do Eddie usar a palavra “light years”, refere que a distância que o separa dessa pessoa é agora de anos-luz, mas fala com saudade e quem será esta pessoa? Será que esta pessoa está viva ou somente ausente e bastante distante do Eddie?

“A respiração pesada, arrependimentos despertados
Páginas passadas e dias que poderiam ter sido
Passados juntos, mas nós estávamos à milhas de distância
Toda polegada entre nós agora se torna anos luz
Sem tempo para ser vazio ou economizar a vida
Oh, você precisa gastar tudo…”

Durante a apresentação no festival Pinkpop 2000, antes de tocar esta canção Eddie diz que sua amiga que trabalhava na área de marketing da Sony Music chamada Diane Muus, acabou falecendo repentinamente em 1997 com 33 anos de idade e comentou que ela era uma amiga querida e infelizmente ele não pode se despedir. (Não sei como ela faleceu).
Mas se parar para pensar, Eddie não disse que a música foi feita para essa amiga, ele apenas fez uma dedicatória ali naquele show antes de tocá-la. E levando isso em consideração e se parar para analisar lembrando que o Binaural foi lançado em 2000 e o Eddie e a Beth se divorciaram oficialmente no mesmo ano, talvez ele quisesse dizer que mesmo sendo inteligente, romântico, carinhoso, conhecendo tudo sobre ela, as coisas que ela gostava, lugares que ela amava ir, filmes preferidos, música e bandas do coração e tudo mais não foram o suficiente para mantê-la ao seu lado e com isso ele se sentia há anos luz de distância dela, talvez por ela mesma se afastar ou ele devido os compromissos com a banda, turnê etc e acabou mesmo sem querer se distanciando e com isso acarretando no divórcio.
Tanto que hoje em dia pelo menos eu vejo sempre o Eddie levando a família em shows, viajando juntos e tentando diminuir esse “Anos Luz” com as pessoas que ama e assim poder continuar trabalhando tranquilamente.
Ou pode ser nada disso, pois me lembro de que num certo show antes de anunciar a “Come Back” Eddie diz que a canção era dedicada para os pais poderem passar mais tempo com os filhos, e sabemos que “Come Back” não foi feita para as filhas dele, mas foi o sentido que ele quis que a música tivesse naquele momento.
Saber realmente para quem foi feita a letra, só se o próprio Eddie revelar. Essa é a graça de ser fã do PJ, canções e letras lindas que podem significar muitas coisas e não tem brigas, pois cada um de nós pode entender da forma que mais agradar e a forma que ouço e sinto esta canção é dessa maneira, lembrando-me de coisas boas no qual um dia eu tive e que hoje restaram somente saudades.

Pearl Jam – In My Tree

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Talvez essa foi a primeira música que mostra um Pearl Jam (Eddie Vedder) adulto, após susto da fama, de terem suas vidas invadidas pela mídia e tendo milhares de fãs de um dia para o outro, afinal este é o preço que se paga pelo estrelato.
A letra mostra um Eddie que agora sabe reconhecer que nunca mais será o mesmo, nunca mais andará nas ruas sem ser reconhecido, nunca mais será somente mais um entre milhares. Uma música camaleoa, que sofre mutação a cada vez que é tocada. Realmente essa é uma música GIGANTE.
No Code trás mudanças que já havia se iniciado com o Vitalogy, um álbum maduro, mas com resquícios da inquietação do Ten e do Vs. O No Code, por sua vez, já mostra uma certa acomodação (no bom sentido) e uma banda focada no que realmente querem passar com a música e não ter que fazerem o que a mídia e o público em geral queria que eles fizessem. Um álbum que foi o divisor de águas, aqui se separou os fãs de Ten e VS com a sua atmosfera experimental e afastou aqueles que gostavam do grunge mais cru, assim sendo o No Code manteve somente aqueles fãs verdadeiros e admiradores do Pearl Jam e sem dúvidas alguma este é um álbum feito realmente só para os fãs.
“In My Tree” é uma música chave do álbum, na qual mostra um Eddie maduro, sereno e sabendo o seu lugar após a explosão da fama. Estando em cima da “Árvore” observando tudo ao seu redor e só assimilando para sí aquilo que lhe faz bem, pois ele aprendeu a lidar com as criticas e sabia que nunca poderia agradar a todos, portando analisando criticas negativas e transformando em algo bom pra si e para a banda.
No topo dessa árvore, ele não só vê melhor, mas também pode se afastar daquilo que não gosta.

“(Eddie’s down in his home)
(Oh, the blue sky it’s his home)
(Eddie’s blue sky home)
(Oh, the blue sky it’s his home)”

(Eddie na sua casa,
Oh, o céu azul é a sua casa
A casa de céu azul do Eddie,
Oh o céu azul é a sua casa)

O fato de mencionar o nome do Eddie serve para confirmar o óbvio: esse sujeito que está lá em cima é o Eddie, não um personagem criado. E é importante lembrar que o nome do Eddie é também mencionado na “Blood” do álbum VS. que é a música justamente ao contrário, quando ele estava pressionado pela fama e sem sua liberdade e com o passar do tempo isso se transformou em sabedoria e aprendeu a observar o mundo em cima da sua árvore.
Acredito que a “In My Tree” seja umas das maiores e mais importantes músicas do Pearl Jam. Ela é fundamental para entender o que se passou com o Eddie durante a transição da juventude sem cobranças para a fase adulta com responsabilidades. É uma maneira de se manter intacto dentro de toda aquela agitação e manter-se fiel aos seus princípios, humilde quanto aos seus ideais e buscando o conhecimento interior para assim poder compartilhar o que aprendeu.