Iron Maiden – Fear of The Dark (1992)

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Já que hoje é o aniversário do Bruce Dickinson, não poderia deixar de comentar sobre esta obra prima. “Fear of The Dark” é o nono álbum de estúdio da banda e foi o último disco de Bruce Dickinson, que deixou a banda para se dedicar a sua carreira solo até sua volta em 1999. Foi também o primeiro disco a ser produzido por Steve Harris, e o último a contar com Martin Birch (que se aposentou depois do lançamento). E além disso, a capa de Fear of the Dark, foi a primeira a não ser desenhada pelo artista Derek Riggs, sendo feita então por Melvyn Grant.

Este é sem dúvidas um dos meus álbuns mais marcantes, pois no começo dos anos 90 quando eu estava começando a curtir rock, já tinha influência dos meus pais em casa, que amam Beatles, Stones, Led, Floyd entre outras bandas anos 60/70. Mas tudo realmente mudou quando ouvi Sepultura, Maiden, Megadeth e o Metallica (antigo, é claro!), mas foi justamente ouvindo o Fear Of The Dark, que me despertou mais interesse em bandas pesadas e assim cai sem paraquedas no mundo do metal com todas suas vertentes e venho até hoje desbravando este tal mundo fantástico e desde então, não tive mais medo do escuro.

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Pantera – Cowboys From Hell

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O álbum Cowboys from Hell é o quinto álbum de estúdio da banda de thrash metal Pantera e hoje está completando 25 anos, foi lançado em 24 de Julho de 1990. É o primeiro sucesso comercial da banda considerado por muitos como o “verdadeiro” primeiro álbum do grupo, pois marca uma nova fase onde eles deixam o glam de lado e começam a exibir traços de thrash, definindo as bases do que viria a se chamar groove metal que se concretizou no álbum seguinte. Cowboys From Hell’ é um clássico como poucos. Existem álbuns em que facilmente distinguimos as músicas mais fracas ou piores, mas neste álbum em particular, dizer que uma faixa ou outra é fraca é difícil, pois todas são excelentes formando esta ‘obra prima’ e certamente todo mundo que gosta de metal já bateu cabeça ouvindo este álbum.
Desde o começo, com a fenomenal ‘Cowboys From Hell’ onde ficamos delirados com a sonoridade da guitarra de Dimebag e o ritmo de Vinnie Paul na bateria, os excelentes vocais de Anselmo ou então o espetacular uso do baixo por parte de Rex Brown. Música clássica, bem como a seguinte ‘Primal Concrete Sledge’ que é simplesmente brutal. ‘Psycho Holiday’ vai seguindo a excelência com riff’s de guitarra que nos fazem chorar. Em seguida vem ‘Heresy’ e a guitarra de Dime, faz o que muitas vezes duas ou trés não conseguem fazer. Agressiva, rápida, vocais poderosos de Anselmo, fantástica. Segue-se Cemetery Gates que é uma das melhores baladas de metal de todos os tempos. ‘Domination’ mostra o que o Thrash Metal de fato é. Técnica, vocais fortíssimos, excelente solo de guitarra e um grande trabalho de bateria. Já ‘Shattered’ é puro Speed/Thrash Metal do inicio ao fim. ‘Clash with Reality’ é outro clássico. Uma faixa mais Groove, com um excelente trabalho de bateria, após clássico atrás de clássico, surge agora a obra prima ‘Medicine Man’. Grande ritmo, ora mais lento ora mais rápido mas sempre com um grande peso e agressividade. ‘Message in Blood’ tem um inicio matador e segue os seus 5 minutos de duração com grande qualidade, sendo também uma das melhores do álbum. ‘The Sleep’ começa calmamente, mas torna-se numa faixa cheia de peso e o álbum se encerra com ‘The Art of Shredding’ que é do outro mundo.
Este foi o álbum que fez surgir um novo Pantera e que mostrou o novo e acertado, caminho pelo qual a banda deveria seguir. Tanto que a banda considera “Cowboys From Hell” como seu álbum de estreia e renega totalmente os lançamentos e a fase anterior, tornando seus quatro primeiros álbuns itens de colecionadores.

Yes – Close To The Edge (1972)

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Close to the Edge é o quinto álbum da banda britânica de rock progressivo Yes. Tendo sido lançado em 1972 pela Atlantic Records, é considerado por muitos fãs e críticos a grande obra-prima da banda. O álbum também marca a saída do baterista Bill Bruford, que em junho de 1972, logo após o término das gravações do álbum, deixou a banda para tocar no King Crimson, tendo sido substituído por Alan White. Sem dúvidas é o álbum mais aceito do Yes no meio da cena do rock progressivo. Close to the Edge é um álbum conceitual que fala em foco, sobre a plenitude espiritual, o álbum e inspirado no romance de um escritor alemão Hermann Hesse chamado “Siddharta”, publicado em 1922.

A primeira faixa que dá nome ao álbum, tem 17 minutos sendo toda construída num imenso solo do guitarrista Steve Howe, uma base competente do baixista Chris Squire e o virtuosismo da voz de Jon Anderson. Certamente a canção assim como o resto do álbum, pode ser de difícil ingestão para o público não acostumado, especialmente nos dias de hoje em que o consumo de música parece cada vez mais superficial. Na segunda faixa “And You And I”, é uma balada com cerca de 10 minutos de duração, também baseada na história de Siddharta. Sua base de violão desemboca numa cobertura de teclados, que se desvanece para ser construída novamente. E fechando o álbum “Siberian Kathu” faz o papel de apagar das luzes do palco, uma melodia construída a partir das linhas de baixo de Squire. Não se sabe ao certo sobre o que a canção fala, mas alguns fãs apontam se basear em um grupo xamanista siberiano.

Close To The Edge possui apenas três faixas, com uma duração aproximada de 35 minutos, pode assustar e até gerar certa repulsa em um mundo que não tem mais tempo de parar para apreciar discos, mas continua sendo um dos mais finos retratos de um contexto em que entendia-se que, para a música avançar, era necessário aumentar a técnica e fugir das amarras tradicionais do formato pop. Close to the Edge é sem sombra de dúvidas mais um dos álbuns essenciais dentro de qualquer discografia de rock progressivo que se preze. Uma obra prima atemporal e que influenciou, influencia e seguirá influenciando por muitos e muitos anos músicos que queiram se aventurar nesse universo musical complexo, criativo, mas acima de tudo, desafiador.

Faixas do Álbum

01 – Close To The Edge
02 – And You and I
03 – Siberian Khatru

David Bowie: The Rise and Fall Of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars

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No dia 3 de julho de 1973, a banda de David Bowie, maquiada e vestida como o grupo fictício Spiders From Mars, soltou os últimos acordes de “White Light/ White Heat”, cover do Velvet Underground, e se preparou para encerrar a apresentação com “Rock & Roll Suicide”, como havia feito nos últimos shows do camaleão. Mas Bowie resolveu fazer um pequeno interlúdio antes. “Não apenas é este o último show da turnê, mas é o último show que faremos. Obrigado”, declarou o cantor friamente a uma platéia efusiva. A banda, desavisada e em choque, começou a tocar. Nem eles e nem o mundo jamais veriam novamente Ziggy Stardust, o personagem que Bowie criara para si mesmo.

O adeus repentino de Ziggy fechava um ciclo que, como tudo nessa época para Bowie, movia-se mais rápido do que as pessoas ao redor do cantor conseguiam processar. Tudo começou, propriamente em junho de 1971, quando Bowie e sua banda entraram em estúdio para gravar o álbum Hunky Dory, que seria lançado em dezembro. As músicas já haviam sido compostas há algum tempo. Enquanto o produtor Ken Scott mixava as faixas com os alto-falantes no último volume, Bowie compunha, com papel e caneta, músicas novas para seu próximo disco. The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, o álbum que mudaria tudo, e que faz 43 anos de seu lançamento hoje, estava composto antes de Hunky Dory ser finalizado. Em novembro, Bowie e a banda voltaram ao estúdio para gravar essas novas faixas. A ideia de que Ziggy era um álbum conceitual, contando a história de um roqueiro alienígena que comete suicídio, é polêmica. “It Ain’t Easy”, por exemplo, havia sido gravada para Hunky Dory. “Starman” foi adicionada a pedido de gravadora, que havia sentido falta de um hit no álbum. E a ordem das faixas foi decidida com o objetivo de deixar o lado A e o lado B do vinil com durações semelhantes.

O álbum Ziggy Stardust só seria lançado em junho de 1972, mas Bowie começou sua turnê em fevereiro. “Starman”, o primeiro single, saiu em abril, e mudou a carreira de Bowie. Ele agora era uma estrela. Seus shows eram lotados com moças histéricas que copiavam seu cabelo e maquiavam um círculo na testa, igual ao do ídolo. O cantor foi ao tradicional programa Top Of The Pops tocar “Starman”. Sua casa começou a ser frequentada por gente do naipe de Mick Jagger e George Harrison. Bowie era finalmente o ícone que queria ser. Sua parte conceitual beira a perfeição, uma história digna de ser descrita nas telas dos cinemas. Cada canção expressa musicalmente a parte da história de modo totalmente expressivo e emocionante. Se você não sabe o que é realmente ouvir um álbum inteiro onde prestar atenção à letra é tão importante quanto prestar atenção à guitarra ou à bateria, coloque Ziggy Stardust no toca discos e deixe a agulha rodar. Prepare-se para viajar em uma história criada por um dos ícones consagrados da música: David Robert Jones, conhecido apenas por David Bowie.

História:

Aqui é contada a história de Ziggy Stardust, um marciano que vem trazer uma mensagem de esperança para a Terra que será destruída daqui a 5 anos. Aqui no nosso planeta, Ziggy monta uma banda de Rock chamada Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. Virando um Rockstar, o marciano sucumbe às provações do Rock and Roll e começa a se drogar. O final da história é triste, memorável e dramático!

01 – Five Years (4:43) 

A Terra está condenada e em 5 anos acontecerá a destruição total. A canção tem um começo lento e triste, a bateria sendo tocada de uma forma metódica. A melodia passa o sentimento de tristeza da população ao saber que a Terra será destruída, sendo que este sentimento de tristeza e raiva chega ao ápice com o refrão, cantado aos gritos por Bowie. A linha de piano da faixa de abertura é muito bela e audível, vale ressaltar que a canção não tem guitarra, somente o violão tocado por Bowie. A história de Ziggy e sua trupe estava começando, aproveite-a.

02 – Soul Love (3:33) 

Aqui se fala sobre diversos tipos de amores, segundo a letra: Stone Love ( Amor por alguém morto), New Love ( Amor sonhador) e Soul Love ( Amor Espiritual). Novamente a bateria faz a introdução, agora com uma batida mais rápida, toda via ainda bem cadenciada. A guitarra aqui aparece pela primeira vez, ainda tímida e no meio da música o solo de Saxofone encanta e mostra a qualidade de Bowie no instrumento de metal.

03 – Moonage Daydream (4:35) 

O salvador é anunciado e tem como grande objetivo salvar a Terra da destruição, o salvador é apelidado de “Soul Lover” devido sua alma pura. Se descreve a criação de Ziggy, que se originou da combinação de religião, romance, liberdade sexual e paixão. Aparentemente em seus segundos iniciais Moonage Daydream aparenta ser uma canção mais pesada e selvagem. Toda via alguns segundos depois a guitarra é abandonada pelo grande Mick Ronson ( que Deus o tenha) e o piano toma conta do riff principal junto com o violão e o baixo.  A balada aqui é esplêndida e conta com os vocais de Bowie mais exigidos em determinados momentos. Bowie colocou o título da música em seu livro: Moonage Daydream: The Life and Times of Ziggy Stardust.

04 – Starman (4:16) 

Starman é um mensageiro de Ziggy Stardust que envia pelo rádio uma mensagem de esperança à Terra. Starman foi a música que fez o Reino Unido lembrar que Bowie existia e para muitos, ele tinha feito “Space Oddity” e só. A letra dessa canção foi escrita de acordo com a visão do jovem que ouvia o rádio, no momento do contato com Starman. Seu refrão é um tanto quanto épico para o álbum, no sentido de ser importante para o restante da história, quanto ser importante musicalmente, por ser bastante grudento e bem cantado. A canção tem uma versão bastante conhecida feita pela banda brasileira Nenhum de Nós, a letra foi distorcida, contanto a melodia continua a mesma.

05 – It Ain’t Easy (Ron Davies) (2:56) 

Não há história alguma para ser contada, pois a última música do Lado A do LP não contava nada sobre Ziggy Stardust. É também a única canção em que Bowie não participa da composição (composta pelo americano Ron Davies). Muitas pessoas se perguntam até hoje porque foi lançada no disco, mas não há dúvidas que It Ain’t Easy é uma boa canção.

06 – Lady Stardust (3:20) 

Fala sobre Ziggy no palco, Lady significa a confusão sexual da estrela (que se confundia com Bowie, pois ele é Bi assumido) mostra o lado Rockstar de Ziggy Stadust no ápice de seu sucesso. É a primeira aparição da banda de Ziggy: A Spiders From Mars. Eu fico imaginando como essa pérola deve ter feito milhares de esqueiros se levantarem acesos durante a turnê do álbum. O piano está espetacular aqui, foi utilizado durante todo o álbum e seu ápice é aqui. Perfeita!

07 – Star (2:47)

Mostra como Ziggy Stardust pretende mudar o mundo, influenciando a humanidade com seu Rock’n Roll e reforçando sua ideia de alegrar a Terra, antes que o fim chegue. Pianos e teclados a mil em uma das músicas mais contagiantes do álbum. A linha dos instrumentos (piano e teclado) é rápida e é audível durante quase toda a música. No decorrer da música aproximadamente nos 2:10 a mudança de ambiente faz a faixa terminar no auge de seu momento, que é diferente de como havia começado, por ser mais cadenciado.

08 – Hang On To Yourself (2:37)

Conta sobre “Lady Stardust”, algum amor de Ziggy. O marciano sucumbia as tentações de ser um astro do rock. Certamente é a canção do álbum que mais tem apelo sexual, até pela letra. É a menor canção do álbum mas é ótima. Traz vocais falados e uma guitarra vibrante que culminam no refrão com um ótimo riff de baixo e palminhas

09 – Ziggy Stardust (3:05) 

Aqui inicia-se o declínio do Rockstar, narrando como o sucesso subiu à cabeça de Ziggy e ele acabou se destruindo e a canção é contada por algum membro da Spiders From Mars. É a música que pessoas que nunca ouviram o disco usam para falar de Bowie, como se fosse seu maior ou melhor hit. Seu riff de guitarra cria um ambiente rock bem adequado para Bowie descrever seu personagem.

10 – Suffragette City (3:19)

Ziggy está um tanto quanto banalizado e cheio de sanguessugas. Suffragette City é um lugar desagradável onde todos só querem explora-lo, ele cai no ridículo com piadinhas e acha que não há ninguém como ele para manter relações. Ziggy está isolado, chateado e não curte mais o lado incrível de ser estrela. Ele se vê com um monte de amigos superficiais, chatos e agora quer apenas se aproveitar deles também. Há uma energia nessa música que só se veria de novo no punk, anos depois. E, ao mesmo tempo, existe a malícia do rock dos anos 50. Um clássico!

11 – Rock’n Roll Suicide ( 2:57) 

Fala sobre o colapso final de Ziggy, seu fim. A música que durante a turnê sempre encerrava os shows da banda é a última história contada a respeito do marciano. Bowie encorpora seriamente o personagem por ele criado na música despedida. A música cresce em drama e ganha metais e backing vocals sisudos no final, até terminar quase de surpresa. Um epitáfio sem condescendências. Quando Bowie matou Ziggy ao vivo em 1973, a fama já havia subido à sua cabeça – ele não conversava mais com a banda e só via os músicos em cima do palco. A decisão de não contar a eles sobre o fim da turnê foi entendida como uma traição, e a banda acabou se desfazendo. Mas Bowie ainda tinha muito a criar. Seu próximo álbum, Aladdin Sane, foi tão genial quanto Ziggy, embora menos prestigiado, e a trilogia de Berlim traria a ele um respeito artístico que poucos alcançam. Destruir foi o modo que Bowie encontrou para poder seguir em frente. Só que, agora ele poderia ir para onde quisesse.

“Ziggy played Guitar“ 

Faixas do álbum: 

Lado A

1. “Five Years” – 4:43
2. “Soul Love” – 3:33
3. “Moonage Daydream” – 4:35
4. “Starman” – 4:15
5. “It Ain’t Easy” (Ron Davies) – 2:56

Lado B

1. “Lady Stardust” – 3:20
2. “Star” – 2:47
3. “Hang on to Yourself” – 2:37
4. “Ziggy Stardust” – 3:13
5. “Suffragette City” – 3:25
6. “Rock ‘n’ Roll Suicide” – 2:57

Discos que eu ouvi: METZ – II

Para quem gosta de ouvir Nirvana e Mudhoney, não podem deixar de conhecer a banda METZ. Banda canadense formada pelo vocalista Alex Edkins, o baixista Chris Slorach e o baterista Hayden Menzies, trio que faz muito barulho em estúdio ou ao vivo. Fazendo parte da gravadora Sub Pop desde 2011, eles já lançaram dois discos pelo selo: METZ (2012) e METZ II lançado agora em maio. Escrito e gravado durante a extensa turnê do grupo feita entre 2013 e 2014, o segundo registro em estúdio que, segundo a gravadora, “É a mais pura expressão do que eles vêm fazendo nos últimos anos”. E “Acetate” começa com um riff forte e pesado logo de cara, mostrando que eles não estão para brincadeira no quesito fazer barulho, ela é mais pesada do que 99% das músicas executadas nas rádios.

O começo de “The Swimmer” é um tanto assustador para quem não está acostumado com tanto barulho, mas logo vem a distorção e a sensação de estar em um show do Bad Brains no início de carreira é imensa. É punk e distorção em sua mais pura essência, enquanto “Spit You Out” é cheia de improvisos da melhor qualidade como há muito eu não ouvia. A curta “Zzyzx”, basicamente um guitarra distorcida ao fundo, acaba servindo de introdução para IOU”, essa um punk violento, cheio de energia, vocal gritado e veloz – e que música maravilhosa. Não bastasse a paulada anterior, “Landfill” chega para fazer ainda mais barulho nos ouvidos, porque é mais pesada e agressiva, e o mesmo se aplica em “Nervous System”, um punk puro do início ao fim.

Se nesse álbum existe alguma música que tem alguma chance, mesmo que minúscula ao quadrado, de tocar em alguma rádio é “Wait in Line”. O refrão um tanto grudento e o ritmo ajudam a fixá-la na cabeça rapidamente, mas tenho quase certeza que o pessoal achará pesada em demasia. Mas, calma, tudo volta ao normal na ótima “Eyes Peeled”, e eles encerram em “Kicking a Can of Worms”, quase um progressivo psicodélico repleto de guitarras altas e distorções. Esse disco merece elogios, pois é espetacular e fantástico. METZ II é trabalho que chama atenção de quem gosta de guitarras altas, muito improviso e momentos em que a banda parece ter se juntado para uma jam ou algo do tipo. É para ouvir com o volume alto e pulando junto.

Faixas do álbum:

1 – “Acetate”
2 – “The Swimmer”
3 – “Spit You Out”
4 – “Zzyzx”
5 – “IOU”
6 – “Landfill”
7 – “Nervous System”
8 – “Wait in Line”
9 – “Eyes Peeled”
10 – “Kicking a Can of Worms”

Black Sabbath – Sabotage (1975)

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Sabotage é o sexto álbum de estúdio da banda de heavy metal inglesa Black Sabbath, foi lançado em 27 de Junho de 1975 e foi bem recebido, chegando ao sétimo lugar no Reino Unido, mas nos EUA ficou com a vigésima oitava posição, uma decepção depois de quatro discos seguidos figurando no Top 20. A Rolling Stone ficou empolgada na época e escreveu: “Sabotage não é somente o melhor desde Paranoid, mas pode ser o melhor que já lançaram.” O disco foi o último clássico indispensável da fase com Ozzy no grupo, visto que os próximos, Technical Ecstasy (1976) e Never Say Die! (1978) possuem pouca inspiração. A ideia de Iommi era lançar um álbum com uma sonoridade mais direta em oposição ao complexo disco anterior (Sabbath Bloody Sabbath), que continha muitos elementos de rock progressivo como orquestras, experimentos e ainda contava com a presença de Rick Wakeman, tecladista do Yes. “Poderíamos ter continuado ficando mais técnicos, utilizando orquestras e tudo mais, mas queríamos fazer um disco de rock.”, disse o guitarrista. Embora fosse essa a sua intenção, ouvindo o álbum percebe-se tons experimentais e ele soa bem variado, no geral.

O que dizer de um disco que começa com “Hole in the Sky”, onde um buraco no céu te leva para o paraíso de uma das melhores aberturas de um disco de heavy metal nos anos 70 do mundo, é uma típica pedrada do Sabbath, com direito aos riffs certeiros e marcantes de Iommi e letra mais profética que Geezer já escreveu, segundo o mesmo: “O mundo ocidental estava indo contra o oriente, o buraco na camada de ozônio, o futuro com os carros. Parecia que tudo que ficava ao leste da Europa representava uma ameaça. O Japão evoluindo no mundo dos negócios, Mao dominando a China, a União Soviética com a guerra nuclear e o Oriente Médio estava uma confusão, como sempre.”. Depois de uma pequena pausa para os ouvidos com belos dedilhados de “Don’t Start (Too Late)”, vem na sequencia a poderosa “Symptom of the Universe”, que traz um riff tão pesado quanto belo e a canção termina num lindo arranjo de violão. A música era sobre amor, destino e crença. Amor é a sintonia que nos leva adiante na vida. Morte é a cura, mas o amor nunca morre. Eu estava me sentindo religioso e tudo na minha vida parecia predestinado.”, comentou Geezer.

O clima sombrio vem depois com “Megalomania”, que finaliza com mais um empolgante riff. Na sequência, vem “The Thril of It All” com a súplica de Ozzy para Jesus. Isso mesmo: “Você não me ajudará Sr. Jesus – Você não vai me dizer se pode?”. Eles são mesmo de Deus, aquele morcego era de borracha (risos). Para finalizar mais uma obra-prima do Black Sabbath, a bem temperada e quase radiofônica “Am I Going Insane (Radio)” termina com gargalhadas e berros para a entrada triunfal dos gritos do Ozzy na magnífica “The Writ (includes “Blow on a Jug”)”. Uma curiosidade fica por conta da roupa que Bill veste na foto da capa. Acreditem, a calça leg vermelha pertencia à sua mulher, como ele explica: “Eu tinha um par de jeans que estava muito sujo, então minha mulher me emprestou uma calça. Para que minhas partes íntimas não ficassem muito salientes por baixo da roupa apertada, peguei uma cueca emprestada do Ozzy porque eu também não tinha nenhuma.”. O figurino do vocalista também não é dos melhores, com sua veste tipicamente japonesa que lhe rendeu a apelido de “homo in the kimono”, satirizado pelos seus companheiros. Esse visual desarmônico pode ser o reflexo de tudo que estavam passando. “É o caos personificado.”, comentou Butler sobre a capa.

 

The Cure – The Head on the Door

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The Head on the Door é o sexto álbum de estúdio da banda The Cure, lançado em 13 de agosto de 1985. Depois de gravar um de seus álbuns mais sombrios em 1984 o álbum The Top, o The Cure mudou sua direção musical radicalmente. A banda sempre teve um elemento pop em seu som, mas foi com o álbum The Head on the Door que alcançaram o topo como uma máquina de singles nas paradas. O disco começa com a melhor abertura de um disco já feito pelo The Cure na minha opinião, ‘In Between Days’ é simplesmente genial e que deve ter deixado os caras do New Order de cabelos em pé, pois o posto estava sendo tomado. O baixo de 6 cordas tocado em estúdio por Smith, além de lindo, lembra os melhores momentos da banda em formação, que na época, ainda lutava para se consagrar, e viu sua sonoridade emulada num mega hit arrasa quarteirão.

Já com ‘Kyoto Song’ o teclado vai para uma viajem oriental e o senhor Smith grita mesmo, sente a morte, os pesadelos e a solidão e chama a atenção para o poderoso arranjo. Logo tudo muda novamente com o violão flamenco em destaque em “The Blood“, que sempre me deu a impressão de ouvir Robert Smith exorcizando sua culpa cristã, paralisado pelo sangue de Cristo como a ótima letra descreve. Talvez o segredo de ‘The Head On The Door’ seja mostrar em cada canção uma diferente faceta da banda, ficando para ‘Six Different Ways‘ a verve mais singela e delicada do álbum, uma balada psicodélica que parece vinda direto da terra do nunca e que cria o clima para a explosão pop e levada roqueira da climática ‘Push‘, que fecha o lado A do vinil.

O ​Lado B e a viagem recomeça na eletrônica e dançante ‘Baby Screams‘, em que a voz de Robert marca presença pela força e frescor, dando um sentido de urgência à interpretação. Mas é no clima claustrofóbico de ‘Close to Me‘ que o gênio pop de Smith se libertou e mostrou a receita própria da fábrica de hits do The Cure. A partir de então, a banda não teve vergonha de apostar na simplicidade dos versos em primeira pessoa e na sonoridade em forma de caixinha de música.

Faixas:

1. In Between Days
2. Kyoto Song
3. The Blood
4. Six Different Ways
5. Push
6. The Baby Screams
7. Close to Me
8. A Night Like This
9. Screw
10. Sinking