Sobre Leandro Rufus

Escritor, dramaturgo, roteirista, contador de histórias e podcaster. Apreciador de filmes de terror, seriados e também de carros antigos. Colecionador de discos, palhetas e amante do bom e velho Rock and Roll e as vezes me disperso nos bumbos de bateria.

Iron Maiden – Fear of The Dark (1992)

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Já que hoje é o aniversário do Bruce Dickinson, não poderia deixar de comentar sobre esta obra prima. “Fear of The Dark” é o nono álbum de estúdio da banda e foi o último disco de Bruce Dickinson, que deixou a banda para se dedicar a sua carreira solo até sua volta em 1999. Foi também o primeiro disco a ser produzido por Steve Harris, e o último a contar com Martin Birch (que se aposentou depois do lançamento). E além disso, a capa de Fear of the Dark, foi a primeira a não ser desenhada pelo artista Derek Riggs, sendo feita então por Melvyn Grant.

Este é sem dúvidas um dos meus álbuns mais marcantes, pois no começo dos anos 90 quando eu estava começando a curtir rock, já tinha influência dos meus pais em casa, que amam Beatles, Stones, Led, Floyd entre outras bandas anos 60/70. Mas tudo realmente mudou quando ouvi Sepultura, Maiden, Megadeth e o Metallica (antigo, é claro!), mas foi justamente ouvindo o Fear Of The Dark, que me despertou mais interesse em bandas pesadas e assim cai sem paraquedas no mundo do metal com todas suas vertentes e venho até hoje desbravando este tal mundo fantástico e desde então, não tive mais medo do escuro.

Pantera – Cowboys From Hell

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O álbum Cowboys from Hell é o quinto álbum de estúdio da banda de thrash metal Pantera e hoje está completando 25 anos, foi lançado em 24 de Julho de 1990. É o primeiro sucesso comercial da banda considerado por muitos como o “verdadeiro” primeiro álbum do grupo, pois marca uma nova fase onde eles deixam o glam de lado e começam a exibir traços de thrash, definindo as bases do que viria a se chamar groove metal que se concretizou no álbum seguinte. Cowboys From Hell’ é um clássico como poucos. Existem álbuns em que facilmente distinguimos as músicas mais fracas ou piores, mas neste álbum em particular, dizer que uma faixa ou outra é fraca é difícil, pois todas são excelentes formando esta ‘obra prima’ e certamente todo mundo que gosta de metal já bateu cabeça ouvindo este álbum.
Desde o começo, com a fenomenal ‘Cowboys From Hell’ onde ficamos delirados com a sonoridade da guitarra de Dimebag e o ritmo de Vinnie Paul na bateria, os excelentes vocais de Anselmo ou então o espetacular uso do baixo por parte de Rex Brown. Música clássica, bem como a seguinte ‘Primal Concrete Sledge’ que é simplesmente brutal. ‘Psycho Holiday’ vai seguindo a excelência com riff’s de guitarra que nos fazem chorar. Em seguida vem ‘Heresy’ e a guitarra de Dime, faz o que muitas vezes duas ou trés não conseguem fazer. Agressiva, rápida, vocais poderosos de Anselmo, fantástica. Segue-se Cemetery Gates que é uma das melhores baladas de metal de todos os tempos. ‘Domination’ mostra o que o Thrash Metal de fato é. Técnica, vocais fortíssimos, excelente solo de guitarra e um grande trabalho de bateria. Já ‘Shattered’ é puro Speed/Thrash Metal do inicio ao fim. ‘Clash with Reality’ é outro clássico. Uma faixa mais Groove, com um excelente trabalho de bateria, após clássico atrás de clássico, surge agora a obra prima ‘Medicine Man’. Grande ritmo, ora mais lento ora mais rápido mas sempre com um grande peso e agressividade. ‘Message in Blood’ tem um inicio matador e segue os seus 5 minutos de duração com grande qualidade, sendo também uma das melhores do álbum. ‘The Sleep’ começa calmamente, mas torna-se numa faixa cheia de peso e o álbum se encerra com ‘The Art of Shredding’ que é do outro mundo.
Este foi o álbum que fez surgir um novo Pantera e que mostrou o novo e acertado, caminho pelo qual a banda deveria seguir. Tanto que a banda considera “Cowboys From Hell” como seu álbum de estreia e renega totalmente os lançamentos e a fase anterior, tornando seus quatro primeiros álbuns itens de colecionadores.

À La Carte: Teenage Time Killers – Hung Out To Dry

Teenage Time Killers é um supergrupo daqueles, idealizado por membros do Corrosion Of Conformity, o grupo lança seu disco de estreia e conta com participações de nomes como Dave Grohl (Foo Fighters), Jello Biafra (ex Dead Kennedys), Matt Skiba (Alkaline Trio), Randy Blythe (Lamb Of God), Corey Taylor (Slipknot, Stone Sour), Brian Baker (Bad Religion), e mais. É tanta estrela que o primeiro disco do grupo foi batizado de “Greatest Hits”, e o “Vol. 1″ indica que mais material vem por aí. O álbum foi gravado no estúdio 606, de Dave Grohl.

História do dia mundial do Rock

O dia 13 de julho é celebrado o Dia do Rock. Mas você sabe o porquê dessa data ter sido a escolhida? Tudo começou em 1984 quando o músico irlandês Bob Geldof (que cantava nos Boontown Rats) ficou chocado ao ver uma matéria na BBC sobre a crise humanitária pela qual passava a Etiópia. As imagens até hoje chocam. Eram milhares de homens, mulheres e crianças, literalmente morrendo de fome vivendo em enormes campos. O tipo de cena que achamos que jamais precisaríamos ver em pleno século 20.

Geldof então decidiu que alguma coisa precisava ser feita. O problema é que ele não era exatamente uma superestrela. Sendo assim, de nada adiantaria ele lançar uma música ou sair fazendo campanha. Sua primeira atitude foi chamar Midge Ure, o vocalista do Ultravox, para ajudá-lo. O resultado foi a canção Do They Know It’s Christmas?. A segunda foi usar uma entrevista na BBC para recrutar o maior número possível de estrelas para a causa.

Sua ideia era simples, todos cantariam a canção composta por ele e Ure e assim ela chamaria a atenção do público e renderia muito dinheiro para a caridade. O apelo funcionou e no dia 25 de novembro, uma verdadeira constelação do pop inglês estava reunida para gravar a canção. Boy george, George Michael, Sting, membros do Duran Duran, Spandau Ballet, um ainda pouco conhecido Bono e vários outros deram o melhor de si.

Três dias depois, o single do Band Aid (o nome da “banda”) estava nas lojas. O resultado foi o single mais vendido na história daquele país até então. Logo o resto do planeta tomou conhecimento tanto dos problemas pelos quais os africanos estavam passando quanto dos esforços dos músicos ingleses. Logo Geldof se viu em um estúdio nos Estados Unidos cercado por gente como Michael Jackson, Bruce Springsteen, Ray Charles contando sobre suas experiências. Todos esses músicos, desnecessário dizer, estavam lá para dar a sua contribuição na forma de outra canção emblemática: We Are The World lançada pelo USA For Africa

Seguindo o exemplo, artistas de vários países fizeram canções com o mesmo objetivo. Mas era preciso coroar todo esse esforço. Foi quando Bob Geldof teve a ideia da “jukebox interplanetária”. Dois megaconcertos ocorrendo no mesmo dia nos Estados Unidos e na Inglaterra com as maiores estrelas do mundo da música. Tudo transmitido ao vivo para todo o planeta (Menos o Brasil. A Globo optou por só mostrar os melhores momentos do show semanas depois do evento).

E assim foi feito. Em 13 de julho de 1985, Elton John, The Who, Style Council, Dire Straits, Sting e vários outros estavam no estádio de Wembley para um dia memorável. O evento se mostrou importante do ponto de vista musical por novamente unir várias gerações de músicos que desde o punk estavam separadas e por três grandes marcos. Primeiro os irlandeses do U2, que seguramente começaram ali sua escalada rumo ao topo; depois pelo show do Queen, eleito o melhor já ocorrido na Inglaterra e também por marcar a volta, um tanto desajeitada é fato, de Paul Mccartney aos palcos após anos de ausência.

Nos EUA o show aconteceu na Filadelfia e teve The Cars, Tom Petty, uma ainda novata Madonna (ao lado), Duran Duran, uma volta de improviso do Led Zepellin e alguns momentos de humor involuntário protagonizados por Bob Dylan se vendo obrigado a cantar sem conseguir se ouvir e ainda acompanhado por Keith Richards e Ron Wood dos Rolling Stones. Phil Collins protagonizou o grande truque do dia ao conseguir se apresentar nos dois concertos (graças ao fuso horário e ao avião Concorde). O resultado, além de um dia inesquecível, foi uma renda de 283.6 milhões de dólares para a caridade.

Ao provar que, sim, era possível unir o mundo inteiro por uma causa pelo poder da música, desde então o dia 13 de Julho passou a ser considerado o Dia Mundial do Rock.

Mad Season: Em breve novo álbum

A grande e influente banda grunge Mad Season está em estúdio gravando novas músicas. Ainda que a formação do grupo tenha apenas dois de seus integrantes, já que os saudosos Layne Staley e John Baker Sounders nos deixaram há um bom tempo, os integrantes vivos do grupo resolveram se reunir com Duff McKagan (ex Guns N’ Roses) para gravar novas músicas.

Mike McCready (também do Pearl Jam) e Barrett Martin (também do Screaming Trees) revelaram na noite de ontem que a banda está em estúdio trabalhando em novos sons. Vale lembrar que recentemente um show do Mad Season foi celebrado em Seattle e contou, entre outros, com os vocais de Chris Cornell (Soundgarden).

Há chances de que, além do próprio Cornell, outros músicos influentes apareçam nessas canções, como Mark Lanegan e Peter Buck, por exemplo, com quem Martin já revelou estar sempre trabalhando. O único disco do grupo, Above, foi lançado em 1995.

À La Carte: Eric Clapton & Friends – The Breeze (An Appreciation Of JJ Cale)

Você deve saber que Eric Clapton é um dos guitarristas mais conceituados e admirados da história. O mesmo pode se dizer a respeito de seu círculo de amigos e quando ele resolve reunir alguns deles para um projeto, sai de baixo que o negócio é formado por um verdadeiro time de estrelas.

JJ Cale, nome artístico de John Weldon Cale, foi um músico estadunidense e faleceu em 2013, sofrendo um infarto infarto agudo do miocárdio. É conhecido por ser o autor de duas canções de sucesso na carreira solo de Eric Clapton, “After Midnight” e “Cocaine”, e também de hits do grupo Lynyrd Skynyrd como “Call Me The Breeze” e “I Got the Same Old Blues”. Foi um dos pioneiros a mesclar  blues, rockabilly, música country e jazz.

Para homenagear o guitarrista, Eric Clapton chamou ninguém menos que Tom Petty, Mark Knopfler, John Mayer, Willie Nelson, Derek Trucks e mais um punhado de outros guitarristas que juntos gravaram The Breeze – An Appreciation Of JJ Cale. O disco tem 16 faixas de Cale e abre com “Call Me The Breeze”, música que dá nome ao trabalho e será lançado oficialmente em 29 de Julho.

Yes – Close To The Edge (1972)

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Close to the Edge é o quinto álbum da banda britânica de rock progressivo Yes. Tendo sido lançado em 1972 pela Atlantic Records, é considerado por muitos fãs e críticos a grande obra-prima da banda. O álbum também marca a saída do baterista Bill Bruford, que em junho de 1972, logo após o término das gravações do álbum, deixou a banda para tocar no King Crimson, tendo sido substituído por Alan White. Sem dúvidas é o álbum mais aceito do Yes no meio da cena do rock progressivo. Close to the Edge é um álbum conceitual que fala em foco, sobre a plenitude espiritual, o álbum e inspirado no romance de um escritor alemão Hermann Hesse chamado “Siddharta”, publicado em 1922.

A primeira faixa que dá nome ao álbum, tem 17 minutos sendo toda construída num imenso solo do guitarrista Steve Howe, uma base competente do baixista Chris Squire e o virtuosismo da voz de Jon Anderson. Certamente a canção assim como o resto do álbum, pode ser de difícil ingestão para o público não acostumado, especialmente nos dias de hoje em que o consumo de música parece cada vez mais superficial. Na segunda faixa “And You And I”, é uma balada com cerca de 10 minutos de duração, também baseada na história de Siddharta. Sua base de violão desemboca numa cobertura de teclados, que se desvanece para ser construída novamente. E fechando o álbum “Siberian Kathu” faz o papel de apagar das luzes do palco, uma melodia construída a partir das linhas de baixo de Squire. Não se sabe ao certo sobre o que a canção fala, mas alguns fãs apontam se basear em um grupo xamanista siberiano.

Close To The Edge possui apenas três faixas, com uma duração aproximada de 35 minutos, pode assustar e até gerar certa repulsa em um mundo que não tem mais tempo de parar para apreciar discos, mas continua sendo um dos mais finos retratos de um contexto em que entendia-se que, para a música avançar, era necessário aumentar a técnica e fugir das amarras tradicionais do formato pop. Close to the Edge é sem sombra de dúvidas mais um dos álbuns essenciais dentro de qualquer discografia de rock progressivo que se preze. Uma obra prima atemporal e que influenciou, influencia e seguirá influenciando por muitos e muitos anos músicos que queiram se aventurar nesse universo musical complexo, criativo, mas acima de tudo, desafiador.

Faixas do Álbum

01 – Close To The Edge
02 – And You and I
03 – Siberian Khatru