David Bowie: The Rise and Fall Of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars

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No dia 3 de julho de 1973, a banda de David Bowie, maquiada e vestida como o grupo fictício Spiders From Mars, soltou os últimos acordes de “White Light/ White Heat”, cover do Velvet Underground, e se preparou para encerrar a apresentação com “Rock & Roll Suicide”, como havia feito nos últimos shows do camaleão. Mas Bowie resolveu fazer um pequeno interlúdio antes. “Não apenas é este o último show da turnê, mas é o último show que faremos. Obrigado”, declarou o cantor friamente a uma platéia efusiva. A banda, desavisada e em choque, começou a tocar. Nem eles e nem o mundo jamais veriam novamente Ziggy Stardust, o personagem que Bowie criara para si mesmo.

O adeus repentino de Ziggy fechava um ciclo que, como tudo nessa época para Bowie, movia-se mais rápido do que as pessoas ao redor do cantor conseguiam processar. Tudo começou, propriamente em junho de 1971, quando Bowie e sua banda entraram em estúdio para gravar o álbum Hunky Dory, que seria lançado em dezembro. As músicas já haviam sido compostas há algum tempo. Enquanto o produtor Ken Scott mixava as faixas com os alto-falantes no último volume, Bowie compunha, com papel e caneta, músicas novas para seu próximo disco. The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, o álbum que mudaria tudo, e que faz 43 anos de seu lançamento hoje, estava composto antes de Hunky Dory ser finalizado. Em novembro, Bowie e a banda voltaram ao estúdio para gravar essas novas faixas. A ideia de que Ziggy era um álbum conceitual, contando a história de um roqueiro alienígena que comete suicídio, é polêmica. “It Ain’t Easy”, por exemplo, havia sido gravada para Hunky Dory. “Starman” foi adicionada a pedido de gravadora, que havia sentido falta de um hit no álbum. E a ordem das faixas foi decidida com o objetivo de deixar o lado A e o lado B do vinil com durações semelhantes.

O álbum Ziggy Stardust só seria lançado em junho de 1972, mas Bowie começou sua turnê em fevereiro. “Starman”, o primeiro single, saiu em abril, e mudou a carreira de Bowie. Ele agora era uma estrela. Seus shows eram lotados com moças histéricas que copiavam seu cabelo e maquiavam um círculo na testa, igual ao do ídolo. O cantor foi ao tradicional programa Top Of The Pops tocar “Starman”. Sua casa começou a ser frequentada por gente do naipe de Mick Jagger e George Harrison. Bowie era finalmente o ícone que queria ser. Sua parte conceitual beira a perfeição, uma história digna de ser descrita nas telas dos cinemas. Cada canção expressa musicalmente a parte da história de modo totalmente expressivo e emocionante. Se você não sabe o que é realmente ouvir um álbum inteiro onde prestar atenção à letra é tão importante quanto prestar atenção à guitarra ou à bateria, coloque Ziggy Stardust no toca discos e deixe a agulha rodar. Prepare-se para viajar em uma história criada por um dos ícones consagrados da música: David Robert Jones, conhecido apenas por David Bowie.

História:

Aqui é contada a história de Ziggy Stardust, um marciano que vem trazer uma mensagem de esperança para a Terra que será destruída daqui a 5 anos. Aqui no nosso planeta, Ziggy monta uma banda de Rock chamada Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. Virando um Rockstar, o marciano sucumbe às provações do Rock and Roll e começa a se drogar. O final da história é triste, memorável e dramático!

01 – Five Years (4:43) 

A Terra está condenada e em 5 anos acontecerá a destruição total. A canção tem um começo lento e triste, a bateria sendo tocada de uma forma metódica. A melodia passa o sentimento de tristeza da população ao saber que a Terra será destruída, sendo que este sentimento de tristeza e raiva chega ao ápice com o refrão, cantado aos gritos por Bowie. A linha de piano da faixa de abertura é muito bela e audível, vale ressaltar que a canção não tem guitarra, somente o violão tocado por Bowie. A história de Ziggy e sua trupe estava começando, aproveite-a.

02 – Soul Love (3:33) 

Aqui se fala sobre diversos tipos de amores, segundo a letra: Stone Love ( Amor por alguém morto), New Love ( Amor sonhador) e Soul Love ( Amor Espiritual). Novamente a bateria faz a introdução, agora com uma batida mais rápida, toda via ainda bem cadenciada. A guitarra aqui aparece pela primeira vez, ainda tímida e no meio da música o solo de Saxofone encanta e mostra a qualidade de Bowie no instrumento de metal.

03 – Moonage Daydream (4:35) 

O salvador é anunciado e tem como grande objetivo salvar a Terra da destruição, o salvador é apelidado de “Soul Lover” devido sua alma pura. Se descreve a criação de Ziggy, que se originou da combinação de religião, romance, liberdade sexual e paixão. Aparentemente em seus segundos iniciais Moonage Daydream aparenta ser uma canção mais pesada e selvagem. Toda via alguns segundos depois a guitarra é abandonada pelo grande Mick Ronson ( que Deus o tenha) e o piano toma conta do riff principal junto com o violão e o baixo.  A balada aqui é esplêndida e conta com os vocais de Bowie mais exigidos em determinados momentos. Bowie colocou o título da música em seu livro: Moonage Daydream: The Life and Times of Ziggy Stardust.

04 – Starman (4:16) 

Starman é um mensageiro de Ziggy Stardust que envia pelo rádio uma mensagem de esperança à Terra. Starman foi a música que fez o Reino Unido lembrar que Bowie existia e para muitos, ele tinha feito “Space Oddity” e só. A letra dessa canção foi escrita de acordo com a visão do jovem que ouvia o rádio, no momento do contato com Starman. Seu refrão é um tanto quanto épico para o álbum, no sentido de ser importante para o restante da história, quanto ser importante musicalmente, por ser bastante grudento e bem cantado. A canção tem uma versão bastante conhecida feita pela banda brasileira Nenhum de Nós, a letra foi distorcida, contanto a melodia continua a mesma.

05 – It Ain’t Easy (Ron Davies) (2:56) 

Não há história alguma para ser contada, pois a última música do Lado A do LP não contava nada sobre Ziggy Stardust. É também a única canção em que Bowie não participa da composição (composta pelo americano Ron Davies). Muitas pessoas se perguntam até hoje porque foi lançada no disco, mas não há dúvidas que It Ain’t Easy é uma boa canção.

06 – Lady Stardust (3:20) 

Fala sobre Ziggy no palco, Lady significa a confusão sexual da estrela (que se confundia com Bowie, pois ele é Bi assumido) mostra o lado Rockstar de Ziggy Stadust no ápice de seu sucesso. É a primeira aparição da banda de Ziggy: A Spiders From Mars. Eu fico imaginando como essa pérola deve ter feito milhares de esqueiros se levantarem acesos durante a turnê do álbum. O piano está espetacular aqui, foi utilizado durante todo o álbum e seu ápice é aqui. Perfeita!

07 – Star (2:47)

Mostra como Ziggy Stardust pretende mudar o mundo, influenciando a humanidade com seu Rock’n Roll e reforçando sua ideia de alegrar a Terra, antes que o fim chegue. Pianos e teclados a mil em uma das músicas mais contagiantes do álbum. A linha dos instrumentos (piano e teclado) é rápida e é audível durante quase toda a música. No decorrer da música aproximadamente nos 2:10 a mudança de ambiente faz a faixa terminar no auge de seu momento, que é diferente de como havia começado, por ser mais cadenciado.

08 – Hang On To Yourself (2:37)

Conta sobre “Lady Stardust”, algum amor de Ziggy. O marciano sucumbia as tentações de ser um astro do rock. Certamente é a canção do álbum que mais tem apelo sexual, até pela letra. É a menor canção do álbum mas é ótima. Traz vocais falados e uma guitarra vibrante que culminam no refrão com um ótimo riff de baixo e palminhas

09 – Ziggy Stardust (3:05) 

Aqui inicia-se o declínio do Rockstar, narrando como o sucesso subiu à cabeça de Ziggy e ele acabou se destruindo e a canção é contada por algum membro da Spiders From Mars. É a música que pessoas que nunca ouviram o disco usam para falar de Bowie, como se fosse seu maior ou melhor hit. Seu riff de guitarra cria um ambiente rock bem adequado para Bowie descrever seu personagem.

10 – Suffragette City (3:19)

Ziggy está um tanto quanto banalizado e cheio de sanguessugas. Suffragette City é um lugar desagradável onde todos só querem explora-lo, ele cai no ridículo com piadinhas e acha que não há ninguém como ele para manter relações. Ziggy está isolado, chateado e não curte mais o lado incrível de ser estrela. Ele se vê com um monte de amigos superficiais, chatos e agora quer apenas se aproveitar deles também. Há uma energia nessa música que só se veria de novo no punk, anos depois. E, ao mesmo tempo, existe a malícia do rock dos anos 50. Um clássico!

11 – Rock’n Roll Suicide ( 2:57) 

Fala sobre o colapso final de Ziggy, seu fim. A música que durante a turnê sempre encerrava os shows da banda é a última história contada a respeito do marciano. Bowie encorpora seriamente o personagem por ele criado na música despedida. A música cresce em drama e ganha metais e backing vocals sisudos no final, até terminar quase de surpresa. Um epitáfio sem condescendências. Quando Bowie matou Ziggy ao vivo em 1973, a fama já havia subido à sua cabeça – ele não conversava mais com a banda e só via os músicos em cima do palco. A decisão de não contar a eles sobre o fim da turnê foi entendida como uma traição, e a banda acabou se desfazendo. Mas Bowie ainda tinha muito a criar. Seu próximo álbum, Aladdin Sane, foi tão genial quanto Ziggy, embora menos prestigiado, e a trilogia de Berlim traria a ele um respeito artístico que poucos alcançam. Destruir foi o modo que Bowie encontrou para poder seguir em frente. Só que, agora ele poderia ir para onde quisesse.

“Ziggy played Guitar“ 

Faixas do álbum: 

Lado A

1. “Five Years” – 4:43
2. “Soul Love” – 3:33
3. “Moonage Daydream” – 4:35
4. “Starman” – 4:15
5. “It Ain’t Easy” (Ron Davies) – 2:56

Lado B

1. “Lady Stardust” – 3:20
2. “Star” – 2:47
3. “Hang on to Yourself” – 2:37
4. “Ziggy Stardust” – 3:13
5. “Suffragette City” – 3:25
6. “Rock ‘n’ Roll Suicide” – 2:57

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